O Poeta quase nunca sente dor.
Ele é imune às dores causadas pelas coisas do mundo.
È mais fácil uma cachoeira secar do que lágrimas verterem dos olhos do poeta.
O Poeta chora e quando chora é sem sentir dor, ou então, com imensa dor.
E, por que?
Porque o Poeta não se liga às coisas comuns e inertes; às coisas de somenos.
Por exemplo: O Poeta não está nem aí quando as bolsas de valores despencam:
Mas, chora e sente dor, quando uma flor é pisada e esmagada por um materialista;
O Poeta desdenha se está vermelho ou não no cheque especial:
Mas, urra de dor e fica vermelho de indignação quando alguém prende um pássaro na gaiola;
O Poeta não sofre se veste roupas rotas ou anda descalço em leito pedregoso:
Mas se descabela todo se a Lua rompe dentre as nuvens e ninguém dela se lembra.
Ah, o Poeta é de outra raça... O Poeta certamente não é deste mundo.
De onde o Poeta veio não existe pensamentos que não estejam voltados para o amor e contemplação das coisas belas... O Poeta vive o seu mundo e, raramente permite que o mortal comum dele se apodere.
Quer enfurecer o Poeta?
É simples. BASTA APENAS exigir dele que se afaste por um minuto que seja do seu mundo.
Ah!, meu amigo, deixo um conselho: Nunca, mas nunca mesmo enfureça um Poeta.
Um Poeta enfurecido é o mesmo que:
As ondas violentas do mar tenebroso;
Os ventos impiedosos do avassalador tufão;
Os dentes caninos do voraz leão;
As garras aduncas da temível águia;
O veneno letal da ferina cascavel;
A ira implacável dos deuses de Atenas.
Por isto eu suplico:
Deixe-nos, Poetas que somos, vivermos à nossa maneira.
A Dor do Poeta é invisível, incomensurável, inimaginável... Só os Poetas se entendem.
Ser Poeta... uma dádiva de Deus!
domingo, 18 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
EM TOCA DE JAGUATIRICA PREÁ NÃO ENTRA
Frenegildo Freitas apareceu em Cordoália das Neves em uma noite de escuridão total. A Lua estava em greve. Já por vários dias ela não dava sinais de vida. Os pacatos moradores da Vila evitavam sair à noite para não terem maiores transtornos com algum gatuno, ou então, alguma alma penada, visto que o cemitério “Recanto da Saudade” ficava bem próximo da praça principal. Uma hora ou outra, um mais afoito percorria as ruelas vazias e escuras com passos apressados em busca do abrigo que pudesse protegê-lo dos perigos escondidos nas sombras da noite. Muito raro era encontrar um casal de namorados sob a proteção de uma marquise se entregando às delícias do amor. Foi nesta condição que Frenegildo aportou com seus parcos pertences na pensão “ Prato Feliz” de propriedade da viúva Bresália Fortuna. De imediato a matrona tentou induzi-lo a procurar outro local para ele fincar pé, mas, depois de ouvir a sua ladainha ela se condoeu e preencheu o livro de registro de hóspedes dando-lhe o quarto ao lado do único banheiro do imóvel. Por esta noite e as duas consecutivas Frenegildo não deu as caras na rua. Tratou sim, de descansar o corpo moído pela viagem no lombo do burro Praxedes. Só depois que sentiu o corpo e os músculos em ordem e, principalmente as pernas é que ele deu ares ao povinho do lugarejo. Sem maiores preâmbulos chegou ao bar “Alvorada” ; sentou-se num banco e pediu um martelo da melhor pinga da região. De imediato, a negra Alfonsina lhe serviu a bebida. Talagada vai, talagada vem e ele indiferente ao movimento do bar e da rua se pôs a mordiscar um palito de fósforo e sem maiores preâmbulos cuspia a saliva pegajosa e escura no piso sujo e encardido do bar. Neste ínterim deu entrada no boteco o anão Gurupita Pedregoso. Desde que o circo “Uma noite em Moscou” retirou os trapos de lona da cidade, o anão resolveu ficar instalado numa das casas da rua “Pintão AthaÍde”, onde o recebeu com carinho a donzela Tetê Carneiro já entrada na casa dos sessenta anos( Nunca se casou, por isto era tida por todos uma donzela). Bem, num piscar de olhos, o intrigante anão perguntou à queima-roupa para o Frenegildo o que ele fazia de melhor. O nosso herói ( ou quase) respondeu sem embaraço algum de que ele era campeão em rabo-de-arraiá. “Rabo-de-arraia?”. Perguntou espantado o gorducho anão. “Isto mesmo”, respondeu Frenegildo sem se dignar a abaixar os olhos e fitar o pobre anão. Como um rastilho de pólvora aceso a notícia percorreu todos os becos; buracos; ruelas; barracos; casas e até mesmo o cemitério se viu tomado pela notícia bombástica a ponto do coveiro Pestanildo declarar feriado no campo santo.
Por uns meses Frenegildo gozou de sua reputação de briguento imbatível em rabo-de-arraia. A primeira demonstração de sua habilidade “rabista” aconteceu numa quermesse na fazenda do Major Fragata. A festa ia de vento em popa quando um valentão cismou de passar a mão nas curvas da donzela Nenê Pintassilgo; moçoila dos seus dezesseis anos e cheia de fricotes. Com gritinhos estridentes ela chamou a atenção do Frenegildo que sem perguntar isto ou aquilo, aplicou um rabo-de-arraia no galanteador que, sem despedir do Major voou por sobre as barracas e foi aterrisar no curral de bezerros, onde ficou a noite inteira e só acordou para mamar nas tetas da vaca Favorita e desde então passou a berrar como um garrote desmamado. A fama de “rabista” de Frenegildo correu o sertão. Tornou-se imperioso conhecer o mais famoso aplicador de rabo-de-arraia das redondezas.E, assim, desfrutando de sua habilidade com as pernas ele foi vivendo e levando a vida em calmaria, até que...
Até que um dia também aportou em Cordoália das Neves um sujeito esquisito. Era esquisito por completo, tanto na carcaça, quanto no gênio. Tinha o corpo disforme. Era pequeno nas partes baixas e avantajado nas partes altas. A pele não tinha classificação de cor: ora era escura; ora era negra; ora era parda, mas, nunca branca. Parecia até que era um camaleão disfarçado de gente. Tinha os olhos encavados no rosto e nunca, mas nunca mesmo brilharam por alguém ou algum fato. Eram frios como os olhos de um urutu. Sisudo, não trocava palavra à toa. Só cuspia, por assim dizer, algumas palavras para o gasto. Quando chegou num dia chuvoso na praça Albertine no ônibus das quinze horas sentiu que estava pisando no lugar certo; na terra onde deitaria morada até que a morte o levasse para outra vida melhor. E, assim, Pretonildo Pacífico deitou amarras na bucólica cidade e, abriu o bar “ URRO DE LEÃO” na rua Cizino Freitas, número 65.
No começo das atividades comerciais o bar vendia bebidas e belisquetes e, atendia a freguesia que gostava de dar umas e outras talagadas, sempre acompanhadas de comentários jocosos e atrevidos. Passado algum tempo o enigmático comerciante passou a abrir o bar somente após as dezenove horas e instalou sobre o balcão uma lâmpada vermelha e enfeitou as paredes com papel celofane também vermelho. Com alguns golpes de marreta derrubou as paredes de um cômodo e instalou no canto uma sonata e, para terminar, encheu de garotas atrevidas, vindas todas da capital. No início foi um banzé dos diabos, A sociedade Cordoaliense botou a boca nos trombones. Mas, tudo em vão, mesmo por que o frequentador mais assíduo era o Doutor Delegado Josenildo Paranhos. De nada também adiantou os reclamos do padre Pedregoso e dos coroinhas. Pontualmente, às sete horas da noite, a luz vermelha se acendia e a imoralidade reinava dentre as quatro ou mais paredes do bar “URRO DE LEÃO”.
Para resolver o impasse a Sociedade Irmãs do Espírito Santo, constituída pelas abonadas e gorduchas matronas Cordoalienses se reuniu após muita discussão chegaram a conclusão de que só uma pessoa poderia devolver a moralidade à cidade: FRENEGILDO FREITAS e seu rabo-de-arraia. Conversa vai, conversa vem e convenceram o nosso herói( será?) a tomar atitudes com o imoral Pretonildo, que, argumentaram: “Com um rabo-de-arraia bem aplicado ele voa para outras bandas e deixa em paz nossos maridos.” Dito e feito.
A noite ainda estava capengando quando Frenegildo aportou no bar “URRO DE LEÃO”e, peremptoriamente gritou: “Nêgo do satanás, sai da toca que aqui tem homem pra te mandar pros infernos.” As últimas sílabas de “infernos” ainda estavam no ar, quando saiu em mangas de camisa e calção de brim azul o disforme mortal. Cumpre avisar o amigo leitor que ele tinha passado sebo de carne de bode velho nas pernas que além de deixá-las luzidias também as deixavam terrivelmente escorregadias. Este artifício foi a “pedra no caminho” do “rabista” Frenegildo ( só mesmo o inigualável poeta Drumond para entendê-lo).
De um salto mirabolante Frenegildo aplicou o golpe. Mas, que decepção. Caído no chão sujo do bar o “rabista” contemplava o seu rival em pé e ainda rindo em gargalhadas. Não desanimou e tentou se levantar para aplicar outro golpe, quem sabe o mortal, mas, ficou só no intento, pois, sem dar uma palavra; sem avisar o energúmeno aplicou-lhe um bofetão no pé da orelha esquerda, para em seguida dar-lhe um pontapé nas partes baixas deixando-o desmaiado e sangrando pelas ventas. Coube ao anão Gurupita Pedroso arrastar o moribundo pelas calçadas até a pensão “Prato Feliz” onde ele permaneceu desmaiado e acamado por vários dias. Quando numa bela manhã de setembro a passarinhada fazia algazarra na laranjeira ele acordou e foi interpelado pela senhoria Bresália Fortuna, que, sem dó nem piedade perguntou: Frenegildo você vai voltar no bar “URRO DE LEÃO” para lavar sua honra”?
Com os olhos esbugalhados e num esgar de dor respondeu: “ Eu tô louco por acaso? E, arrematou: EM TOCA DE JAGUATIRICA PREÁ NÃO ENTRA.” E, desabou num sono secular.
Frenegildo Freitas apareceu em Cordoália das Neves em uma noite de escuridão total. A Lua estava em greve. Já por vários dias ela não dava sinais de vida. Os pacatos moradores da Vila evitavam sair à noite para não terem maiores transtornos com algum gatuno, ou então, alguma alma penada, visto que o cemitério “Recanto da Saudade” ficava bem próximo da praça principal. Uma hora ou outra, um mais afoito percorria as ruelas vazias e escuras com passos apressados em busca do abrigo que pudesse protegê-lo dos perigos escondidos nas sombras da noite. Muito raro era encontrar um casal de namorados sob a proteção de uma marquise se entregando às delícias do amor. Foi nesta condição que Frenegildo aportou com seus parcos pertences na pensão “ Prato Feliz” de propriedade da viúva Bresália Fortuna. De imediato a matrona tentou induzi-lo a procurar outro local para ele fincar pé, mas, depois de ouvir a sua ladainha ela se condoeu e preencheu o livro de registro de hóspedes dando-lhe o quarto ao lado do único banheiro do imóvel. Por esta noite e as duas consecutivas Frenegildo não deu as caras na rua. Tratou sim, de descansar o corpo moído pela viagem no lombo do burro Praxedes. Só depois que sentiu o corpo e os músculos em ordem e, principalmente as pernas é que ele deu ares ao povinho do lugarejo. Sem maiores preâmbulos chegou ao bar “Alvorada” ; sentou-se num banco e pediu um martelo da melhor pinga da região. De imediato, a negra Alfonsina lhe serviu a bebida. Talagada vai, talagada vem e ele indiferente ao movimento do bar e da rua se pôs a mordiscar um palito de fósforo e sem maiores preâmbulos cuspia a saliva pegajosa e escura no piso sujo e encardido do bar. Neste ínterim deu entrada no boteco o anão Gurupita Pedregoso. Desde que o circo “Uma noite em Moscou” retirou os trapos de lona da cidade, o anão resolveu ficar instalado numa das casas da rua “Pintão AthaÍde”, onde o recebeu com carinho a donzela Tetê Carneiro já entrada na casa dos sessenta anos( Nunca se casou, por isto era tida por todos uma donzela). Bem, num piscar de olhos, o intrigante anão perguntou à queima-roupa para o Frenegildo o que ele fazia de melhor. O nosso herói ( ou quase) respondeu sem embaraço algum de que ele era campeão em rabo-de-arraiá. “Rabo-de-arraia?”. Perguntou espantado o gorducho anão. “Isto mesmo”, respondeu Frenegildo sem se dignar a abaixar os olhos e fitar o pobre anão. Como um rastilho de pólvora aceso a notícia percorreu todos os becos; buracos; ruelas; barracos; casas e até mesmo o cemitério se viu tomado pela notícia bombástica a ponto do coveiro Pestanildo declarar feriado no campo santo.
Por uns meses Frenegildo gozou de sua reputação de briguento imbatível em rabo-de-arraia. A primeira demonstração de sua habilidade “rabista” aconteceu numa quermesse na fazenda do Major Fragata. A festa ia de vento em popa quando um valentão cismou de passar a mão nas curvas da donzela Nenê Pintassilgo; moçoila dos seus dezesseis anos e cheia de fricotes. Com gritinhos estridentes ela chamou a atenção do Frenegildo que sem perguntar isto ou aquilo, aplicou um rabo-de-arraia no galanteador que, sem despedir do Major voou por sobre as barracas e foi aterrisar no curral de bezerros, onde ficou a noite inteira e só acordou para mamar nas tetas da vaca Favorita e desde então passou a berrar como um garrote desmamado. A fama de “rabista” de Frenegildo correu o sertão. Tornou-se imperioso conhecer o mais famoso aplicador de rabo-de-arraia das redondezas.E, assim, desfrutando de sua habilidade com as pernas ele foi vivendo e levando a vida em calmaria, até que...
Até que um dia também aportou em Cordoália das Neves um sujeito esquisito. Era esquisito por completo, tanto na carcaça, quanto no gênio. Tinha o corpo disforme. Era pequeno nas partes baixas e avantajado nas partes altas. A pele não tinha classificação de cor: ora era escura; ora era negra; ora era parda, mas, nunca branca. Parecia até que era um camaleão disfarçado de gente. Tinha os olhos encavados no rosto e nunca, mas nunca mesmo brilharam por alguém ou algum fato. Eram frios como os olhos de um urutu. Sisudo, não trocava palavra à toa. Só cuspia, por assim dizer, algumas palavras para o gasto. Quando chegou num dia chuvoso na praça Albertine no ônibus das quinze horas sentiu que estava pisando no lugar certo; na terra onde deitaria morada até que a morte o levasse para outra vida melhor. E, assim, Pretonildo Pacífico deitou amarras na bucólica cidade e, abriu o bar “ URRO DE LEÃO” na rua Cizino Freitas, número 65.
No começo das atividades comerciais o bar vendia bebidas e belisquetes e, atendia a freguesia que gostava de dar umas e outras talagadas, sempre acompanhadas de comentários jocosos e atrevidos. Passado algum tempo o enigmático comerciante passou a abrir o bar somente após as dezenove horas e instalou sobre o balcão uma lâmpada vermelha e enfeitou as paredes com papel celofane também vermelho. Com alguns golpes de marreta derrubou as paredes de um cômodo e instalou no canto uma sonata e, para terminar, encheu de garotas atrevidas, vindas todas da capital. No início foi um banzé dos diabos, A sociedade Cordoaliense botou a boca nos trombones. Mas, tudo em vão, mesmo por que o frequentador mais assíduo era o Doutor Delegado Josenildo Paranhos. De nada também adiantou os reclamos do padre Pedregoso e dos coroinhas. Pontualmente, às sete horas da noite, a luz vermelha se acendia e a imoralidade reinava dentre as quatro ou mais paredes do bar “URRO DE LEÃO”.
Para resolver o impasse a Sociedade Irmãs do Espírito Santo, constituída pelas abonadas e gorduchas matronas Cordoalienses se reuniu após muita discussão chegaram a conclusão de que só uma pessoa poderia devolver a moralidade à cidade: FRENEGILDO FREITAS e seu rabo-de-arraia. Conversa vai, conversa vem e convenceram o nosso herói( será?) a tomar atitudes com o imoral Pretonildo, que, argumentaram: “Com um rabo-de-arraia bem aplicado ele voa para outras bandas e deixa em paz nossos maridos.” Dito e feito.
A noite ainda estava capengando quando Frenegildo aportou no bar “URRO DE LEÃO”e, peremptoriamente gritou: “Nêgo do satanás, sai da toca que aqui tem homem pra te mandar pros infernos.” As últimas sílabas de “infernos” ainda estavam no ar, quando saiu em mangas de camisa e calção de brim azul o disforme mortal. Cumpre avisar o amigo leitor que ele tinha passado sebo de carne de bode velho nas pernas que além de deixá-las luzidias também as deixavam terrivelmente escorregadias. Este artifício foi a “pedra no caminho” do “rabista” Frenegildo ( só mesmo o inigualável poeta Drumond para entendê-lo).
De um salto mirabolante Frenegildo aplicou o golpe. Mas, que decepção. Caído no chão sujo do bar o “rabista” contemplava o seu rival em pé e ainda rindo em gargalhadas. Não desanimou e tentou se levantar para aplicar outro golpe, quem sabe o mortal, mas, ficou só no intento, pois, sem dar uma palavra; sem avisar o energúmeno aplicou-lhe um bofetão no pé da orelha esquerda, para em seguida dar-lhe um pontapé nas partes baixas deixando-o desmaiado e sangrando pelas ventas. Coube ao anão Gurupita Pedroso arrastar o moribundo pelas calçadas até a pensão “Prato Feliz” onde ele permaneceu desmaiado e acamado por vários dias. Quando numa bela manhã de setembro a passarinhada fazia algazarra na laranjeira ele acordou e foi interpelado pela senhoria Bresália Fortuna, que, sem dó nem piedade perguntou: Frenegildo você vai voltar no bar “URRO DE LEÃO” para lavar sua honra”?
Com os olhos esbugalhados e num esgar de dor respondeu: “ Eu tô louco por acaso? E, arrematou: EM TOCA DE JAGUATIRICA PREÁ NÃO ENTRA.” E, desabou num sono secular.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A CASA DE PEDRA
PARA EDNA AGUIAR
Quando cheguei à casa de pedra no alto da colina
Trazia às costas um castelo de sonhos não realizados,
Que me fazia cansado, alquebrado e triste com a sina,
Imposta a mim pelo destino, de nunca ter sido amado.
Com passos trôpegos adentrei no “hal” e depositei os sonhos
No chão pedregoso e escorregadio e me quedei a relembrar
O caminho percorrido; os tropeços nas pedras e os atalhos
Que me conduziram a lugar algum, ou, a um covil, para chorar.
Andarilho de roupas ou trapos rotos tendo a alma rota
Construí com a poeira do leito encardido um castelo
E, inocente, o dotei de colunas de sonhos: tarefa inócua,
Embora, amante pertinaz, as fiz com carinho e muito zelo.
Por uma eternidade carreguei comigo este castelo fictício
Na esperança ferrenha de um dia vê-lo erigido em aço,
Abrigando em seus infinitos aposentos o doce e sensual vício
De possuir e ser possuído até a lassidão que sobrevém ao cansaço.
E, assim, perambulando pela vida cheguei até a casa de pedra:
Cheguei e me instalei e fiquei por uma noite ou por um século.
Não importa o tempo quando se tem a certeza real, pétrea,
De que num átimo de segundo a casa de pedra será o meu castelo.
Sim, o meu castelo, não de sonhos, mas de uma realidade tangível,
E, nele, certamente, encontrarei à minha espera a mulher sonhada;
A mulher que o meu coração almeja: um sonho sublime e crível,
Não mais névoas a circundar as torres do castelo de areia dourada.
Quando cheguei à casa de pedra já sabia de que o castelo ruiria;
De que, os sonhos intangíveis, se tornariam carícias eternas.
Oh!,que felicidade saber de que não mais habitarei casas em ruína.
Habitarei sim, uma casa sólida; repleta de amor...Uma casa de pedra.
PARA EDNA AGUIAR
Quando cheguei à casa de pedra no alto da colina
Trazia às costas um castelo de sonhos não realizados,
Que me fazia cansado, alquebrado e triste com a sina,
Imposta a mim pelo destino, de nunca ter sido amado.
Com passos trôpegos adentrei no “hal” e depositei os sonhos
No chão pedregoso e escorregadio e me quedei a relembrar
O caminho percorrido; os tropeços nas pedras e os atalhos
Que me conduziram a lugar algum, ou, a um covil, para chorar.
Andarilho de roupas ou trapos rotos tendo a alma rota
Construí com a poeira do leito encardido um castelo
E, inocente, o dotei de colunas de sonhos: tarefa inócua,
Embora, amante pertinaz, as fiz com carinho e muito zelo.
Por uma eternidade carreguei comigo este castelo fictício
Na esperança ferrenha de um dia vê-lo erigido em aço,
Abrigando em seus infinitos aposentos o doce e sensual vício
De possuir e ser possuído até a lassidão que sobrevém ao cansaço.
E, assim, perambulando pela vida cheguei até a casa de pedra:
Cheguei e me instalei e fiquei por uma noite ou por um século.
Não importa o tempo quando se tem a certeza real, pétrea,
De que num átimo de segundo a casa de pedra será o meu castelo.
Sim, o meu castelo, não de sonhos, mas de uma realidade tangível,
E, nele, certamente, encontrarei à minha espera a mulher sonhada;
A mulher que o meu coração almeja: um sonho sublime e crível,
Não mais névoas a circundar as torres do castelo de areia dourada.
Quando cheguei à casa de pedra já sabia de que o castelo ruiria;
De que, os sonhos intangíveis, se tornariam carícias eternas.
Oh!,que felicidade saber de que não mais habitarei casas em ruína.
Habitarei sim, uma casa sólida; repleta de amor...Uma casa de pedra.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A FELICIDADE DO POETA
A felicidade do poeta é saber que existem flores; pássaros e estrelas.
Por que mais?
Basta somente aquilo que deixa o poeta feliz.
Por que mais?
Basta somente aquilo que deixa o poeta feliz.
A VIDA COMO ELA É
A VIDA COMO ELA É:
É bela;
É excitante;
É romântica;
É desafiadora.
Eu, sou, como sou:
Apaixonado;
Poeta;
Romântico
Sonhador.
Tanto eu, quanto a vida, somos o que somos e, nada mais.
É bela;
É excitante;
É romântica;
É desafiadora.
Eu, sou, como sou:
Apaixonado;
Poeta;
Romântico
Sonhador.
Tanto eu, quanto a vida, somos o que somos e, nada mais.
O MEU ANIVERSÁRIO
Hoje é o meu aniversário. Faço 65 anos. Estou feliz e a vida me é feliz. Estou na Argentina, mais precisamente em Buenos Aires ao lado da minha querida esposa Edna. Viemos pra cá dia 05 e vamos ficar até o dia 09. Não existe, creio eu, um lugar mais atraente e romântico de que Buenos Aires. Adoro esta cidade com seus prédios europeus; o clima ameno e principalmente o vento da tarde que açoita com suavidade a nossa testa. Tudo aqui é maravilhoso. Hoje estivemos no "CAMINITO". Quanta poesia exala nos ares. Mais à noite iremos no ESQUINA GARDEL, casa de tango onde cearemos e assistiremos o espetáculo de tango. Até o dia de embarcarmos desfrutaremos das delícias deste recanto.
Ah, ia me esquecendo: ganhei um BULOWA da Edna.
O Hotel é simplesmente maravilhoso e fica na região central.
Arre de tanto degustar carnes macias acompanhadas de suaves e perfumosos vinhos.
A vida, hoje, posso afirmar com convicção está toda voltada para me fazer feliz.
Após tantas idas e vindas o poeta achou o seu PORTO-SEGURO.
AGRADEÇO AOS AMIGOS SINCEROS QUE ME AJUDARAM A ENCONTRÁ-LO.
O POETA DEITOU AMARRAS NOS VERGALHÕES DO PORTO.
Ah, ia me esquecendo: ganhei um BULOWA da Edna.
O Hotel é simplesmente maravilhoso e fica na região central.
Arre de tanto degustar carnes macias acompanhadas de suaves e perfumosos vinhos.
A vida, hoje, posso afirmar com convicção está toda voltada para me fazer feliz.
Após tantas idas e vindas o poeta achou o seu PORTO-SEGURO.
AGRADEÇO AOS AMIGOS SINCEROS QUE ME AJUDARAM A ENCONTRÁ-LO.
O POETA DEITOU AMARRAS NOS VERGALHÕES DO PORTO.
sábado, 3 de setembro de 2011
SONETO DE EXAUSTÃO
Estou exausto. Minhas carnes tremulam de desejos frementes
E, trêmulas, exalam pelos poros o perfume da pele suave e tépida
Que veste o corpo da mulher, que, a mim, se uniu eternamente
Formando um corpo uno; nunca mais duas almas paralelas.
A exaustão que sinto me faz o vivente mais feliz do universo;
Mais feliz do que os deuses que habitam o Monte Olimpo;
Do que os beija-flores que osculam os botões entreabertos,
Ou mesmo, dos amantes que julgam serem, dos mortais, os preferidos.
Por uma eternidade almejei com esperança, amor e tenacidade,
A união destas duas almas que nunca, por um momento, se curvaram,
Mas, sim, lutaram com forças desmedidas olvidando os percalços.
Hoje, posso dizer com o coração repleto de alegria e febril felicidade
De que as desilusões, intrigas e desavenças pelo éter se esfumaram,
Dando lugar à posse total... uma posse desmedida que me deixa EXAUSTO.
E, trêmulas, exalam pelos poros o perfume da pele suave e tépida
Que veste o corpo da mulher, que, a mim, se uniu eternamente
Formando um corpo uno; nunca mais duas almas paralelas.
A exaustão que sinto me faz o vivente mais feliz do universo;
Mais feliz do que os deuses que habitam o Monte Olimpo;
Do que os beija-flores que osculam os botões entreabertos,
Ou mesmo, dos amantes que julgam serem, dos mortais, os preferidos.
Por uma eternidade almejei com esperança, amor e tenacidade,
A união destas duas almas que nunca, por um momento, se curvaram,
Mas, sim, lutaram com forças desmedidas olvidando os percalços.
Hoje, posso dizer com o coração repleto de alegria e febril felicidade
De que as desilusões, intrigas e desavenças pelo éter se esfumaram,
Dando lugar à posse total... uma posse desmedida que me deixa EXAUSTO.
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