segunda-feira, 26 de março de 2018
FRENTE AO MAR
Estou frente ao mar.
Estou triste,pois, as ondas chegam até mim impetuosas
e, ao me sentirem , recuam assustadas.
Por que elas me temem?
Não sou facínora e nem mesmo as odeio...
ao contrário, as amo.
Estou triste!
As lágrimas vertem dos meus olhos e
se misturam com as espumas alvas...
Aproximo-me mais... Passos cambaleantes
e me atiro nas águas mornas como se fora
a saliva da mulher amada.
Imerso, sinto que não mais me temem e,
num abraço cheio de luxúria
me arrastam para a misteriosa alcova..
O fundo do mar... morada de Netuno.
Sou feliz... estou feliz...
Sou POETA!
Este poema é o primeiro criado por mim depois do terrível
susto de sete meses. Criei-o, frente ao mar, na praia Martim de Sá
em Caraguá, em 14-3-2018.
ENSAIO SOBRE A FOME ... TRÊS CONTOS MINIMALISTAS BASEADOS EM DITOS POPULARES
1. JOSIAS, ESPECTRO DE HOMEM, PELO CORPO MIRRADO, OLHOS ESBUGALHADOS E, ETERNAMENTE MORTO DE FOME, SEMPRE CHOROU, O LEITE DERRAMADO.
2. PARA MALAQUIAS, SEMPRE QUE A FOME APERTAVA, ELE DESAPERTAVA O CINTO DE COURO E, COM AVIDEZ, COMIA UM PEDAÇO DO CINTO, ENTRE EM FURO E OUTRO.
3. VIRIDIANA VIVIA A SONHAR COM UM FAVO DE MEL. QUANDO ACONTECEU DE GANHAR ALGUNS FAVOS, AO INVÉS DE SE LAMBUZAR, ENGOLIU-OS TODOS E, MORREU SUFOCADA.
ALDO AGUIAR
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
VERSOS ÍNTIMOS
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável.
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
AUGUSTO DOS ANJOS
Cruz do Espírito Santo - PB , 1884
Leopoldina-MG , 1914
INTERPRETANDO ESSE SONETO ACHEI POR BEM ACRESCENTAR UMA MINHA OBSERVAÇÃO:
O SACO DE PLÁSTICO DO SUPERMERCADO QUE CARREGA MEIO QUILO DE CONTRA-FILÉ, DIAS DEPOIS, VAI CARREGAR, MEIO QUILO, DE COCÔ DE CACHORRO...
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
PROSEANDO & PROVANDO... DE POESIA
CALHANDRA
Quando a calhandra cantar ao alvorecer
E de mim sua alma soturna se despedir,
Creia-me, mulher querida, meu corpo irá jazer
No sepulcro da saudade e, sepulto, terá a alma a exaurir.
Calhandra, não cates, peço-te tristonho,
Aquietas-te em teu refúgio nas ramagens floridas,
Pois, não te ouvindo, não despertarei dos meus sonhos
E permanecerás então comigo a mulher de minha vida.
Mas impõe-te cantar o destino inexorável,
Desapiedado do triste destino do meu desterro.
Pela campina verdejante , ecoa o teu canto afável.
Canta calhandra, canta; não te impostes com o meu chorar,
Deixe a de mim, amante infeliz, dar o adeus nos acenos...
Acenos que se perdem e se confundem com o meu muito penar.
DO LIVRO: CONFIDÊNCIAS DA ALMA
EDIVALE - 1988
PÁGINA 51
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
PROSEANDO & PROVANDO... DE POESIA
CABELOS EM DESALINHO
Quando me deito, no colo da amada,
Recosto a cabeça em seus seios mornos
Neste momento, durmo e sonho em paz
Sabendo que suas mãos acariciam meus cabelos.
Não importa se tenho os cabelos penteados
Lisos ou em mechas brancas e macias
Sei apenas que ela os enrola em seus dedos
Numa sensual, porém, terna, carícia.
Passado um tempo em que me sinto um rei,
Reergo a cabeça da carne morena e perfumada
E, como um gato sonolento me espreguiçarei
Sentindo no rosto a essência dos seus carinhos.
Oh! Deus como sou feliz em ter as mãos benditas
Em minha cabeça; em meus cabelos em desalinho.
Do Livro : CORAÇÃO SANGRANDO
EDIVALE- 2016
PÁGINA 42
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
PROSEANDO & PROVANDO... DE POESIA
A VIDA COMO ELA É
A vida como ela é:
É bela;
É excitante;
É romântica;
É desafiadora.
Eu, sou, como sou:
Apaixonado;
Poeta;
Romântico;
Sonhador.
Tanto eu, como a vida, somos o que somos e, nada mais.
Poema do Livro: SORTILÉGIOS DO AMOR
EDIVALE - 2015
PÁGINA 31
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
PROSEANDO & PROVANDO... DE POESIA
BEIJA-ME PELA DERRADEIRA VEZ
Beija-me pela derradeira vez,
Inda que meu coração suplique mil.
Ouve a voz da razão, e os teus beijos dá,
Como se dá esmola ao pedinte servil.
Apieda-te deste homem que não os merece,
Que, idiota, trocou carinhos pela vida fácil.
Lembra-te das vezes que te jurei em prece
Amor e fidelidade? Ah!... Juras de um mentiroso inábil.
Mas, mesmo sabendo das veleidades contra ti cometidas,
Perdoa-me e rebe-me em teu corpo sedutor
Abocanha-me em tua despudorada e atrevida
E, pela última vez, a derradeira, de joelhos, eu suplico:
Beija-me os lábios com insaciável volúpia e intenso furor...
Beijos, beijos e beijos... Esmolas a este amante mendigo.
DO LIVRO: DE VOLÚPIAS, ÊXTASE E DELÍRIOS
EDIVALE- 2005 - PÁGINA 45
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