segunda-feira, 16 de abril de 2018


PROSEANDO & PROVANDO DE POESIA



O PIANO



Soberbo e imponente como um Príncipe da Pérsia
O piano se fazia visualizar em seu mistério.
Num canto do salão, ele, belo, imperava,
Indiferente aos súditos: o seu séquito.

As teclas de marfim reluziam como estrelas
Incrustadas e refulgentes no manto cerúleo.
Por elas desfilaram mãos ágeis e possessas
No vaivém frenético dos acordes régios.

Por um tempo eu o tive em meu domínio,
Mesmo, escravo, dos meus anseios sem fim.
Para mim, ele se desdobrava, sem martírio,
No majestoso instrumento, como nada, afim.

Porém, um dia, em que deslizava pelas teclas
Meus dedos, já ressequidos, doídos e enregelados,
Notei que ele, chorava, a minha triste derrocada;
A minha senilidade que lhe tirava sons agoniados.

Incapaz de me ter ao seu lado nesta triste condição
Ele, num ato glorioso, se desfez em um monte de pó.
Chorando copiosamente, ali, depositei, o coração,
E, tamborilei no assoalho AVE MARIA e, jazi, SÓ!


POEMA RETIRADO DO LIVRO A SER PUBLICADO EM AGOSTO : UMA MULHER INTRIGANTE

sábado, 14 de abril de 2018

AS ESPOSAS

Trata-se de um livro excelente onde é retratada a vida de esposas de escritores russos.
Publicado pela AMARILYS - contendo 315 páginas.

AS MULHERES NOS BASTIDORES DA VIDA E DA OBRA DE PRODÍGIOS DA LITERATURA.

São retratadas as seguintes esposas :

1. ANNA DOSTOIÉVESKI : ACALENTANDO UMA MEMÓRIA ... DOSTOIÉVESKI ----- CRIME E CASTIGO --OS IRMÃOS KARAMAZOV

2. SOFIA TOLSTÓI : BABÁ DE UM TALENTO... TOLSTÓI --- GUERRA E PAZ -- ANNA KARIENINA

3. NADEJDA MANDELSTAN : TESTEMUNHA DA POESIA... MANDELSTAN --- POESIAS

4. VERA NABOKOV : APENAS UMA SOMBRA... VLADMIR NABOKÓV ---- LOLITA

5. ELENA BULGÁKOV : A MARGARIDA MISTERIOSA... BULGAKÓV ---- O MESTRE E MARGARIDA


6. NATÁLIA SOLJENÍTSIN : "COMPANHEIRA INSEPARÁVEL DO MEU TRABALHO" ...SOLJENÍTSIN ---ARQUIPÉLAGO GULAG - PRÊMIO NOBEL.

CONTRACAPA ; ANNA DOSTOIVÉSKI, SOFIA TOLSTÓI, VERA NABOKOV, ELENA BULGAKÓV, NADEJDA MANDELSTAN, NATÁLIA SOLJENÍTSIN : SEIS MULHERES DE GRANDES LITERATOS RUSSOS QUE DESEMPENHARAM MÚLTIPLAS TAREFAS, ATUANDO COMO ESTENÓGRAFAS, REVISORAS, PESQUISADORAS, TRADUTORAS E EDITORAS DOS MARIDOS ILUSTRES.
ALGUNS MARCOS DOS CÂNONES LITERÁRIOS SÓ VIERAM A PÚBLICO GRAÇAS AO EMPENHO DESSAS MULHERES.

ESTOU LENDO E ESTOU ENCANTADO COM A DEDICAÇÃO, AMOR, COMPANHEIRISMO, CRENÇA, ADMIRAÇÃO E MUITO MAIS, QUE TAIS ESPOSAS, DEVOTARAM AOS SEUS MARIDOS... "MONSTROS SAGRADOS DA LITERATURA UNIVERSAL".

RECOMENDO A LEITURA.

quinta-feira, 12 de abril de 2018


PROSEANDO & PROVANDO DE POESIA



A CORTINA DE CHITA VERMELHA


Quando comprei a cortina de chita vermelha
Nunca pensei que um dia seu fim seria outro,
Pois a intenção foi, por um fio, suspensa,
Separar da cozinha o quarto pequeno e modesto.

Neste local ela permaneceu por anos a fio,
Sempre protegendo os meus encontros de amor.
Quantas vezes a deixei de lavar no rude estio
Dos dias sem chuva em que medrava o ardente calor.

Porém, por "Coisas da Vida", um dia, a tive de ceder
Para a morena faceira que por ela se apaixonou.
Fazendo beicinho após o sexo ardente e, muito gemer,
Ela me pediu a cortina, para fazer um vestido novo.

Com o coração partido, me desfiz da fiel companheira,
Atendendo o desejo da mulher que me fez feliz amante .
Em segundos ela estava de posse da chita vermelha
Sonhando com o vestido que vestiria seu corpo pujante.

Dias depois, quando a tive de novo em meus braços trêmulos,
A despi do vestido, antes uma cortina e, a tive nua e, bela.
Oh, como sou feliz por ter realizado um simples desejo,
Da mulher, que feliz, trajava um vestido, de chita vermelha.

DO LIVRO A SER PUBLICADO BREVE: UMA MULHER INTRIGANTE
ALDO DE AGUIAR

terça-feira, 10 de abril de 2018


PARANOIA



Sinto o cérebro em constante paranoia
Pelo terrível medo de te perder, mulher!
Bem sabe que sou náufrago sem boia
Quando te ausentas, oh, estrela Vésper.

Ribomba-se o coração e sinto-me em pânico
Se, de ti, não tenho notícias por um dia.
Sou ave que não encontra o sonhado ninho;
Sou folha que se desprende na tarde fria.

Não queria de ti ser paranóico na estupidez,
De não ter forças para reagir com sensatez,
E bem sei que me julgas um alçapão sem clarabóia


A viver no universo da escuridão onde medra o medo,
E, as estultas súplicas, deste vate ensandecido.
Hoje,te confesso, amada: Por você, vivo, em paranóia.


POEMA DO LIVRO...UMA MULHER INTRIGANTE - A SER PUBLICADO EM AGOSTO DE 2018

ALDO DE AGUIAR

domingo, 8 de abril de 2018

EU, A PONTE, A PARDOCA E, O GATO... UM CONTO EM 4 ATOS.


EU
Nada tenho de especial. Sou um mortal comum. Vivi até agora, aos 49 anos de idade, perambulando de um lugar para outro, sem destino, sem casa para morar, sem um amor, sem dinheiro e, claro, sem ambições. Cada pedaço de terra era o meu refúgio, e, por estar imerso em terra, trago o corpo e, as roupas rasgadas e amassadas, impregnados de um barro secular.
Com minha desdita, trago uma fome abissal que vive a corroer o meu estômago. De vez em quando me alimento de restos de comida que vasculho nos lixos, ou, em raras ocasiões, uma coxinha oferecida por este ou aquele viajante mais recompensado pela sorte. No mais, sigo pela vida como um pária e, se sou, feliz ou não, não o sei dizer.

A PONTE
Era uma ponte de um pau só, que nas roças por onde perambulei dão o nome interessante de “pinguela”. Sempre tive o cuidado de não trocar a vogal final de “a” por “o”. Nunca gostei de me mostrar inconveniente ou desagradável. Esta ponte, ou melhor, esta vara de pau ligava uma margem à outra por cima de um ribeirão de águas frescas e cristalinas. Tinha o comprimento de uns três ou quatro metros e era usada pelos sitiantes circunvizinhos que iam aos sábados trocar os seus produtos roceiros por alguns trocados.
A PARDOCA
Sem dúvida alguma era uma pardoca, pela plumagem parda e sem brilho e, pelo tamanho diminuto. Estava pousada no meio da pinguela, já jazia algum tempo, pois, quando me deitei na cabeceira da ponte sob um ingazeiro, passei a contemplá-la e, vi que estava presa por uma perna numa fenda do pau, que por já estar carcomido pelos cupins apresentava inúmeras rachaduras pelo lenho ressequido. Depois de muita lutar para retirar a perna, abaixou-se e ficou imóvel à espera de um milagre, ou, sei lá o quê.
O GATO
Era um gato rajado. Tinha os pelos do corpo ralos, e, de aparência sadia somente os bigodes que sobressaíam quais cipós de sua cabeça mirrada. Como eu, ele demonstrava estar morto de fome, o que pude deduzir pela baba que começou a escorrer de sua boca fétida, onde alguns dentes pontiagudos se projetavam. Com a esperteza de seus parentes felinos , subiu sobre a ponte e, com um andar malicioso e silencioso se dirigiu até a pardoca.
I ATO:
Vislumbrando o meu almoço bem à frente e sem resistência alguma, a pardoca já se me apresentava como um saboroso manjar, o que me faria satisfeito pelo resto da tarde. Com gestos trêmulos agarrei uma pedra e fui rastejando pelo insensível lenho até a avezita que, imóvel, não antevia qual seria o seu destino, já decretado por mim: sua morte e o ato de “matar o que estava me matando”. E, assim o fiz.
II ATO
Num repente, o gato rajado, saltou atrás da pardoca e arreganhou a boca e, afiou as garras para abocanhar e estraçalhar o seu tão almejado almoço (ambos estávamos morrendo de fome). De sua boca peluda, saltaram os dentes alvos, finos e pontiagudos. Para a pardoca, a morte se apresentou de duas maneiras: ou a pedrada certeira, ou, a mordida implacável.
III ATO
A pardoca, vivendo os últimos instantes de sua breve vida, resolveu lutar e, numa última e desesperada tentativa, reuniu todas as forças do seu diminuto corpinho e puxou a perna com a maior dificuldade. Num ímpeto destemido, ela se viu livre da armadilha e, com um gracioso bater de asas elevou-se às alturas indo pousar no galho mais alto do ingazeiro, onde emitiu alguns trinados, visto que, pardoca não canta... Milagre? Mostrando estar gozando de nossas derrotas.
IV ATO
Na pinguela, ficamos, eu e o gato, com as mãos abanando e os estômagos roncando. Creio que tudo se passou ao mesmo tempo. Tivemos os mesmos pensamentos. Num átimo, nos engalfinhamos numa luta doida, cujo intento era substituirmos a refeição que a pardoca nos daria. Coma a pedra eu tentava quebrar a cabeça do estúpido felino que enfrentava um animal maior e mais possante que ele. Com os dentes e garras afiadas ele, pulou sobre mim, tentando alcançar a minha jugular (herança genética dos felinos), pois, se obtivesse resultado beberia o sangue quente e fresco bombeado pelo meu trêmulo coração. O embate durou alguns segundo, quando, numa manobra infeliz, caí dentro do ribeirão arrastando a “fera” que estava com as garras enroscadas em meu pescoço. Notei que um líquido vermelho e pegajoso molhava minhas faces, antes de mergulharmos nas águas frias (era inverno). Da última coisa que tenho lembrança foi ver um enorme sáurio, mais precisamente um jacaré se aproximar de nós e, com a bocarra arreganhada, engolir o meu braço direito e o gato. Com muito custo saí do ribeirão e rastejei até a margem, deixando um rastro de sangue na areia alva. Agonizante, porém salvo, o que não aconteceu com o gato, olhei para o alto e ainda pude contemplar a pardoca saltitando dentre os galhos da árvore e me olhando com sarcasmo, como a dizer:
_ Bem feito, para vocês dois! E, alçou voo, para bem longe.
MORAL DO CONTO: “POR MAIS FOME QUE VOCÊ TENHA, NÃO TENHA PRESSA EM MATÁ-LA”.
ALDO DE AGUIAR
TAUBATÉ, 8 DE ABRIL DE 2018

sexta-feira, 6 de abril de 2018

PROSEANDO & PROVANDO ... DE POESIA



AINDA TE AMO


Sabe? Ainda te amo!
Parece tão simples de dizer
Mas não imaginas o quanto
Tentei inutilmente te esquecer.


Te esquecer, tentei vezes infindas,
Sentindo o coração tristonho.
Deus, só Deus sabe o quanto lutei
Para afastá-la dos meus loucos sonhos.


Procurei esquecer-te em tantos amores
Como são tantas as estrelas do céu
- Efêmeras tentativas, bálsamo fugaz -


Hoje, vejo que tantos dissabores
Foram para minha alma tênue véu
Pois, tentando te esquecer, amei-te mais!


Poema retirado do livro AMOR, AMOR, AMOR ETERNA SOLIDÃO.
1A. EDIÇÃO - 1994 - EDIVALE
PÁGINA 62
ALDO DE AGUIAR

quarta-feira, 4 de abril de 2018

DOIS ROMANCES SABOREADOS DURANTE OS FERIADOS DE PÁSCOA

Nestes feriados de Páscoa tive o prazer de desfrutar da leitura de dois romances distintos, porém, excelentes, que me fizeram passar horas felizes à margem do rio Paraibuna, contemplando suas águas plácidas, ao som mavioso de canarinhos, bem-te-vis e tantos outros pássaros canoros. São eles:

1. O ANATOMISTA - do escritor argentino Federico Andahazi, publicado em 1996, que trata de um anatomista que descobre o que ele chama de "Amor veneris", mais propriamente, o clitóris, órgão que proporciona o máximo prazer sexual na mulher, isto, na Renascença. Tal livro foi publicado pela L & PM POCKET com 218 páginas.

2. CLARA DOS ANJOS - DO ESCRITOR BRASILEIRO LIMA BARRETO, que trata dos usos e costumes do Brasil na década de 30. É uma leitura agradável e com forte cunho de acusação dos tratamentos dispensados ao povo mais pobre do Rio de Janeiro.
170 páginas.

Recomendo a leitura aos meus queridos seguidores.