14.
Saber que será má a obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos,fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. Essa planta é a alegria dela, e também por vezes a minha. O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou me não basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida.
Um tédio que inclui a antecipação só de mais tédio; a pena, já, de amanhã ter pena de ter tido pena hoje - grandes emaranhamentos sem utilidade nem verdade, grandes emaranhamentos...
... onde, encolhido num banco de espera da estação apeadeiro, o meu desprezo dorme entre o gabão do meu desalento!...
... o mundo de imagens sonhadas de que se compõe, por igual, o meu conhecimento e a minha vida...
Em nada me pesa ou em mima dura o escrúpulo da hora presente. Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições.
15.
Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu.
Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo. Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo.
LIVRO DO DESASSOSSEGO
FERNANDO PESSOA
CIA. DAS LETRAS
2006
sábado, 28 de novembro de 2009
INCONGRUENTE
Não tenho o que sinto
Nem sinto o que tenho,
Tenho o sentido de sentir
Sem sentir o sentido de ter.
Tendo, sem sentir o que se tem,
Sentindo ter o que nunca se teve,
Teve-se o sentimento de haver sentido...
Sentido vazio de sentir-se tendo.
E, assim, sentindo sem sentido algum,
Tendo sem ter o que pensa que se teve,
Tive, ou não tive, que seu Eu o que tenho?
As incongruências de ser o que nunca fui.
Do livro " AS CONFIDÊNCIAS DA ALMA"
Edivale - 2a. edição - 86 páginas
Aldo Aguiar
Nem sinto o que tenho,
Tenho o sentido de sentir
Sem sentir o sentido de ter.
Tendo, sem sentir o que se tem,
Sentindo ter o que nunca se teve,
Teve-se o sentimento de haver sentido...
Sentido vazio de sentir-se tendo.
E, assim, sentindo sem sentido algum,
Tendo sem ter o que pensa que se teve,
Tive, ou não tive, que seu Eu o que tenho?
As incongruências de ser o que nunca fui.
Do livro " AS CONFIDÊNCIAS DA ALMA"
Edivale - 2a. edição - 86 páginas
Aldo Aguiar
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
UMA SEMANA DE ORAÇÃO
Uma semana de oração. Graças ao meu querido amigo Laércio tive uma semana de oração, de bençãos profícuas. Convidado que fui pelo mesmo na 2a. feira para ouvir durante a semana a pregação do Pastor Ivan na Igreja Adventista, em Tremembé, e que prontamente aceitei, tive o presente de poder comungar com Deus nos dias a Ele consagrado. Foram dias maravilhosos que culminaram hoje com uma pregação que veio de encontro aos meus anseios. O Pastor pregou sobre os prejuízos que nos causam guardar mágoas, pecados do passado e cultuar glórias. Foi realmente maravilhoso. Após o término da pregação para aqueles que frequentaram toda a semana foi -nos presenteada uma Biblia. Ao meu amigo Laércio agradeço de coração ter se lembrado de mim. A Deus, agradeço ter me permitido vivenciar tal graça.
ORA - DIREIS - OUVIR ESTRELAS
" Ora ( direis ) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso" E eu vos direis, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: " Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: " Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
OLAVO BILAC
RIO DE JANEIRO - 16/12/1865 ; 28/12/1918 ( 53 anos)
Olavo Bilac foi jornalista e poeta brasileiro.
Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira número 15, cujo Patrono é Gonçalves Dias.
Foi eleito o PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS, pela revista FON-FON em 1907.
Junto com ALBERTO DE OLIVEIRA e RAIMUNDO CORREIA, foi a maior liderança e expressão do PARNASIANISMO no Brasil, constituindo a chamada TRÍADE PARNASIANA.
A publicação de POESIAS em 1888 rendeu-lhe a consagração.
Viveu só sem constituir família até o fim de seus dias.
É o criador do HINO À BANDEIRA.
Uma breve crônica sobre o título da magnífica poesia: ORA - DIREIS - OUVIR ESTRELAS.
Sim, os poetas somos aficcionados por conversar e ouvir as estrelas do firmamento. Necessitamos como alimento para a alma e o coração dos colóquios sem fim nas noites estreladas.
Quantas vezes me dirigi a elas expondo minhas dores e agruras quando a mulher amada não entendia os meus queixumes. Oh, quanta desdita vociferei às mesmas procurando delas um conselho ou mesmo ( algumas vezes ) uma "bronca" que me fizesse enfrentar com altivez os desamores. Sim, conversamos e ouvimos as estrelas. Porém, hoje,quedo-me a pensar o que fazem os homens altamente tecnológicos, nunca poetas, com seus radios-telescópios perscrutando as vozes do Universo? Disse o renomado Príncipe dos Poetas: " Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Não consigo imaginar um cientista com fone de ouvido capaz de ouvir uma estrela... Ouvem sim, ruídos ininteligíveis... quem sabe ( imagino ) são ruídos provocados pelo ronco de meteoros brutamontes que passam zumbindo pelo universo. Ah, felizes somos os poetas que temos "ouvido para ouvir estrelas... "
Perdeste o senso" E eu vos direis, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: " Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: " Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
OLAVO BILAC
RIO DE JANEIRO - 16/12/1865 ; 28/12/1918 ( 53 anos)
Olavo Bilac foi jornalista e poeta brasileiro.
Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira número 15, cujo Patrono é Gonçalves Dias.
Foi eleito o PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS, pela revista FON-FON em 1907.
Junto com ALBERTO DE OLIVEIRA e RAIMUNDO CORREIA, foi a maior liderança e expressão do PARNASIANISMO no Brasil, constituindo a chamada TRÍADE PARNASIANA.
A publicação de POESIAS em 1888 rendeu-lhe a consagração.
Viveu só sem constituir família até o fim de seus dias.
É o criador do HINO À BANDEIRA.
Uma breve crônica sobre o título da magnífica poesia: ORA - DIREIS - OUVIR ESTRELAS.
Sim, os poetas somos aficcionados por conversar e ouvir as estrelas do firmamento. Necessitamos como alimento para a alma e o coração dos colóquios sem fim nas noites estreladas.
Quantas vezes me dirigi a elas expondo minhas dores e agruras quando a mulher amada não entendia os meus queixumes. Oh, quanta desdita vociferei às mesmas procurando delas um conselho ou mesmo ( algumas vezes ) uma "bronca" que me fizesse enfrentar com altivez os desamores. Sim, conversamos e ouvimos as estrelas. Porém, hoje,quedo-me a pensar o que fazem os homens altamente tecnológicos, nunca poetas, com seus radios-telescópios perscrutando as vozes do Universo? Disse o renomado Príncipe dos Poetas: " Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Não consigo imaginar um cientista com fone de ouvido capaz de ouvir uma estrela... Ouvem sim, ruídos ininteligíveis... quem sabe ( imagino ) são ruídos provocados pelo ronco de meteoros brutamontes que passam zumbindo pelo universo. Ah, felizes somos os poetas que temos "ouvido para ouvir estrelas... "
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
OH, LUA ARGÊNTEA!
Oh, Lua argêntea que dardejas pelo Universo
Embalada pelos "ais" dos poetas e amantes ufanos.
És única em beleza e altivez; és musa dos meus versos:
O poema que crio tendo o corpo à deriva em braços insanos.
Oh, Lua argêntea que perscruta as fendas da noite escura
Curiosa em flagrar amantes em colóquios enternecidos;
Bem sei que o fazes impelida por frêmitos de ternura,
Nunca, para desvendar segredos de corações feridos.
Oh, Lua argêntea que esparrama os raios prateados
Pelas sendas onde os poetas gemem seus desamores.
Iluminas sem questionar o bem e o mal, o certo e o errado...
Antes de Rainha és a serviçal: criada a servir os seus senhores.
Oh, Lua argêntea que ferida foi pelo "homem-inconsequente"
Trazendo hoje em teu virginal corpo uma ferida a sangrar.
Conspurcaram-te sem dó nem piedade: um projétil incandescente
Rasgou e penetrou tua carne vítrea: uma chaga a nos envergonhar.
Oh, Lua argêntea, se possível, perdoa-nos por tanta iniquidade
Causada, não só a ti, mas ao fecundo universo como um todo.
Pela busca da "água" (bem a nós doado pela suprema divindade),
Imolaram o teu corpo... Ao invés de água, o sangue, em golfadas, jorrou.
Dedico este poema aos meus fiéis bloguistas, especialmente ao casal Laércio e Jojoca, anônimo(que me chama de caro poeta) e a andorinha livre.
Embalada pelos "ais" dos poetas e amantes ufanos.
És única em beleza e altivez; és musa dos meus versos:
O poema que crio tendo o corpo à deriva em braços insanos.
Oh, Lua argêntea que perscruta as fendas da noite escura
Curiosa em flagrar amantes em colóquios enternecidos;
Bem sei que o fazes impelida por frêmitos de ternura,
Nunca, para desvendar segredos de corações feridos.
Oh, Lua argêntea que esparrama os raios prateados
Pelas sendas onde os poetas gemem seus desamores.
Iluminas sem questionar o bem e o mal, o certo e o errado...
Antes de Rainha és a serviçal: criada a servir os seus senhores.
Oh, Lua argêntea que ferida foi pelo "homem-inconsequente"
Trazendo hoje em teu virginal corpo uma ferida a sangrar.
Conspurcaram-te sem dó nem piedade: um projétil incandescente
Rasgou e penetrou tua carne vítrea: uma chaga a nos envergonhar.
Oh, Lua argêntea, se possível, perdoa-nos por tanta iniquidade
Causada, não só a ti, mas ao fecundo universo como um todo.
Pela busca da "água" (bem a nós doado pela suprema divindade),
Imolaram o teu corpo... Ao invés de água, o sangue, em golfadas, jorrou.
Dedico este poema aos meus fiéis bloguistas, especialmente ao casal Laércio e Jojoca, anônimo(que me chama de caro poeta) e a andorinha livre.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Laércio, o Cirineu
Apareceu quando menos eu esperava. Tocou a campainha da porta e quando fui atendê-lo, disse-me, sem rodeios, sem titubeios: " Hoje, ao ler o seu blog, e ao deparar com a sua lamúria, onde pede que lhe apareça um Cirineu que o ajude a carregar a sua cruz, compadecido de suas desavenças resolvi vir até aqui e oferecer-lhe os meus préstimos"... Imediatamente o mandei entrar; ele e sua caixa de ferramentas e claro a máquina furadeira. Desde que me mudei por " Coisas da Vida", muita coisa está precisando de ser colocada em seus devidos lugares e, poeta que o sou, não tenho destreza para serviços materiais ( Quadros e armários nas paredes; Televisão com pouca programação, etc.). Foi com alívio que o vi em poucas horas dar conta do recado... Deixou tudo em ordem. Ah, a minha cruz perdeu uma boa parte de seu peso. Não quis recompensa, mas, como escritor presentei-o com 2 livros do renomado escritor Gabriel Chalita:
ÉTICA e A ÉTICA DO REI MENINO. Se aprofundando no papel de Cirineu, me convidou para assistir à uma palestra na Igreja Adventista logo mais à noite. Fui, e me senti com as esperanças redobradas. O Pastor pregou embasado no Salmo 23: " O Senhor é o meu pastor, e ele nunca me faltará..." Enfim, o meu querido amigo Laércio, investido de Simão, o Cirineu, de boa vontade, sem lanças nas costas a obrigá-lo a carregar um pouco de minha cruz, me fez bem, me fez feliz.
Obrigado meu devoto amigo.
Cumpre regtistrar que durante o culto foram sorteados alguns brindes e, o meu inestimável amigo ganhou o livro de ALEJANDRO BULLÓN, SINAIS DE ESPERANÇA.
Pessoas de corações bons, são sempre agraciadas pela sorte.
ÉTICA e A ÉTICA DO REI MENINO. Se aprofundando no papel de Cirineu, me convidou para assistir à uma palestra na Igreja Adventista logo mais à noite. Fui, e me senti com as esperanças redobradas. O Pastor pregou embasado no Salmo 23: " O Senhor é o meu pastor, e ele nunca me faltará..." Enfim, o meu querido amigo Laércio, investido de Simão, o Cirineu, de boa vontade, sem lanças nas costas a obrigá-lo a carregar um pouco de minha cruz, me fez bem, me fez feliz.
Obrigado meu devoto amigo.
Cumpre regtistrar que durante o culto foram sorteados alguns brindes e, o meu inestimável amigo ganhou o livro de ALEJANDRO BULLÓN, SINAIS DE ESPERANÇA.
Pessoas de corações bons, são sempre agraciadas pela sorte.
sábado, 21 de novembro de 2009
SIMÃO, O CIRINEU.
Está no Novo Testamento em Mateus, 27 , versículo 32: " Ao sairem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e o forçaram a carregar a cruz."
Sim, Jesus, estava cambaleando; as forças já o abandonavam e o peso da cruz só aumentava. Jesus, num esforço hercúleo tentava carregar a cruz que lhe feria os ombros. O peso descomunal causava-lhe infinda dor. A Via Crucis mostrava-se longa demais para seus titubeantes passos, e o Gólgota cada vez mais se aproximava... O látego feria-lhe as costas... O sangue e o suor se misturavam e empapavam sua mortalha. Até que, Simão, o Cirineu, lhe ajudou a carregar o pesado lenho... Simão, por um instante suavizou a terrível empreitada que os pecadores impuseram ao Homem Santo.
Na vida, pelas " Coisas da Vida " também temos as nossas cruzes. Hoje, carrego a minha e confesso que estou arqueado pelo peso que me fere o dorso. Por tantas vezes tentei afastá-la de mim, mas, em vão. Sigo a minha Via Crucis com ela impregnada em meu corpo. Meus passos, trôpegos, pedem ajuda... Oh, Senhor, será que também encontrarei pelo caminho áspero em que sigo, um Cireneu, que me ajudará com o peso da madeira?, que me ajudará a tornar a minha Via Crucis mais amena?, que me fará acreditar que conseguirei levá-la até aonde me é destinado por aquele que rege o destino do homem? Simão, por favor não demores a se aproximar de mim.
Ajude-me!, pois, creio, o sou merecedor de ti.
Sim, Jesus, estava cambaleando; as forças já o abandonavam e o peso da cruz só aumentava. Jesus, num esforço hercúleo tentava carregar a cruz que lhe feria os ombros. O peso descomunal causava-lhe infinda dor. A Via Crucis mostrava-se longa demais para seus titubeantes passos, e o Gólgota cada vez mais se aproximava... O látego feria-lhe as costas... O sangue e o suor se misturavam e empapavam sua mortalha. Até que, Simão, o Cirineu, lhe ajudou a carregar o pesado lenho... Simão, por um instante suavizou a terrível empreitada que os pecadores impuseram ao Homem Santo.
Na vida, pelas " Coisas da Vida " também temos as nossas cruzes. Hoje, carrego a minha e confesso que estou arqueado pelo peso que me fere o dorso. Por tantas vezes tentei afastá-la de mim, mas, em vão. Sigo a minha Via Crucis com ela impregnada em meu corpo. Meus passos, trôpegos, pedem ajuda... Oh, Senhor, será que também encontrarei pelo caminho áspero em que sigo, um Cireneu, que me ajudará com o peso da madeira?, que me ajudará a tornar a minha Via Crucis mais amena?, que me fará acreditar que conseguirei levá-la até aonde me é destinado por aquele que rege o destino do homem? Simão, por favor não demores a se aproximar de mim.
Ajude-me!, pois, creio, o sou merecedor de ti.
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