segunda-feira, 16 de agosto de 2010

UM ARROUBO DE MALÍCIA

Ao te conhecer, apaixonei-me pela candura
Que transcendia de teu rosto belo e virginal.
Aos meus olhos eras a flor incauta e pura,
Exposta aos olhares lascivos sob o azul celestial.

Um véu translúcido teimava em ocultar os encantos,
Resguardando jóias tão sublimes, dos falsos galanteadores.
Ah, num arroubo audaz e viril, arrebatei o manto diáfano,
E contemplei, extasiado, o rubor dos lábios tentadores.

Trêmula, permististe um sobressalto imperceptível,
Um piscar de olhos, um leve soerguimento das sobrancelhas,
Que, para mim, representaram um quadro indescritível:
Eras a Madona a fitar-me com inusitadas promessas.

Impregnada pelo encanto do momento inaudito,
Num movimento impensado, abrupto e repleto de magia,
Moveste os lábios, atirando-me um beijo voluptuoso.
Um beijo apenas... Um gesto inocente... Um arroubo de malícia.

Do livro: De volúpias, êxtases e delírios - Aldo Aguiar
página 23.
Edição 1a. - 2005

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