Dos seus doze anos balançavam pelo pescoço belas tranças;
Dos meus treze anos sobressaíam da cabeça um topete negro.
Ambos, brincávamos, na doce inocência de duas crianças,
Que se amavam sem pudor e não ocultavam nenhum segredo.
Após a missa aos domingos saíamos para passear no parque
De diversões que ficava na praça frente à soberba matriz:
Desfilando entre os brinquedos e barracas de balas e dropes
Íamos de mãos dadas sentar à borda do majestoso chafariz.
Numa ousadia de deixar as faces coradas de fraco pudor
Ela, sempre ela, apertava-me as mãos com força desmedida;
Neste momento, eu, embalado pelas fadas do silente amor,
Sentia as pernas enfraquecidas e trêmulo retribuía a carícia.
Amava suas tranças negras e macias como o algodão doce
Que eu sempre a presenteava na hora triste da despedida.
Ela, com trejeitos de menina-moça pedia-me que fosse
Embora, pois, a hora já se fazia nossa pior inimiga.
Assim, na candura de um amor desprovido da pérfida malícia
Nos "amamos", nas horas maravilhosas da frágil inocência.
Uma vez, somente uma vez, e foi o que bastou para o fim
Desse amor, que nunca teve lastro e que nunca teve semente.
Foi numa tarde outonal em que suas belas tranças sedosas
Se enroscaram em meus dedos numa caricia mais extrema.
Corada de vergonha ela disse-me adeus e partiu chorosa,
E, eu, fiquei chorando e amaldiçoando sua inabalada pureza.
Reminescências de uma amor de infância que ficou indelével
Em meu coração despedaçado pelo primeiro amor casto.
Hoje, ainda saudoso,me lembro das tranças e do carrossel
De cavalinhos, onde galopávamos, por um verdejante pasto.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
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